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História

Fundada provavelmente no séc. I, a história da vila de Soajo vem já de muito longe.
Proveniente duma base primitiva de ocupação de um espaço, possivelmente relacionado com a actividade secular de pastoreio e transumância, a actual vila evoluiu em torno de um núcleo central implantado na praça principal (Largo do Eiró).

O seu povo gozou de privilégios desde a fundação da nacionalidade portuguesa, pois enquanto outras localidades invocavam a liderança espanhola, Soajo reconhecia o rei de Portugal como legítimo, tendo isso lhe valido vários direitos. Os habitantes da região eram então designados por monteiros em virtude da sua principal actividade ser a caça (ursos, javalis, cabras-bravas, lobos e raposas), tendo mesmochegado a ser instituída a Montaria do Soajo, com representantes locais da Montaria Real. Apesar disso, só no séc. XVI, em 1514, lhe foi atribuída carta de foral.

Mais tarde viria a ser concelho (abrangendo as freguesias de Ermelo e Gavieira), mas este foi extinto em 17 de Fevereiro de 1852, em consequência das reformas liberais. Embora perdendo o direito a sede de concelho, Soajo não perdeu a sua peculiaridade. Ainda hoje as ruas são pavimentadas com lajes de granito e as casas construídas com blocos de pedra. A vida em comunidade sempre foi muito importante nesta aldeia e até há cerca de um século atrás, Soajo tinha um juiz eleito pelo povo.

Principais pontos de interesse

1. A aldeia de Soajo é famosa pela sua eira comunitária constituída por 24 espigueiros, de tipo galaico-minhoto, característicos pelo corpo baixo, alongado e construção em pedra. Assentes num afloramento de granito, formam um conjunto classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1983.
Alguns apresentam uma sacralização evidente, patente nas cruzes de topo sobrepeanhas, para protecção divina dos seus conteúdos, essenciais à sobrevivência da comunidade local. A cronologia destes elementos arquitectónicos é integrável nos séculos XVIII e XIX, sendo que o mais antigo data de 1782.
Estes monumentos de granito foram construídos na altura em que se incrementou o cultivo do milho e serviam para proteger o cereal das intempéries e dos animais roedores. As suas paredes são fendidas para que o ar circule através das espigas empilhadas.Parte destes espigueiros são ainda hoje utilizados pelas gentes da terra. Os canastros construídos em verga, elementos primitivos destas estruturas, desapareceram por completo.

2. O pelourinho, classificado como monumento nacional desde 1910, é um elemento rude, de menor valor artístico e etnográfico, testemunho do tempo em que esta população serrana foi vila. Sobre três degraus assenta a coluna colmatada com uma face antropomórfica, e em cuja parte superior, sem capitel, aflora uma cara rudemente lavrada e um triângulo no topo, a lembrar um chapéu de três bicos.
A data da sua edificação é incerta, embora o foral dado à vila por D. Manuel em 1514 possa lançar a sua construção, iniciando a sua funcionalidade de marco jurisdicional. Alguns autores interpretam os seus elementos escultóricos como integrados em tradições locais de autonomia administrativa e política, segundo as quais,o Pelourinho do Soajo, representa o pão a esfriar na ponta de uma lança.
Consta que no reinado de D. Dinis, os monteiros se terão queixado dos abusos de fidalgos, pelo que o monarca terá dado ordem para que estes não se demorassem ali mais do que “o tempo de esfriar um pão na ponta de uma lança”. No entanto, nenhuma leitura é, neste âmbito, suficientemente precisa. O facto de não possuir nenhuma ranhura para colocação de ferros é apontado como justificativo para a sua tardia construção.

3. As Antas da Serra de Soajo são construções funerárias para inumações colectivas que testemunham as práticas funerárias das civilizações antigas.

4. Os Fojos são construções de grande envergadura feitas em pedra, quase sempre situadas nas linhas de cumeada das serras, com a função de serem um auxílio para o homem na caça ao lobo.
Entre estes, destaca-se como mais notório o que se encontra junto ao Outeiro Maior, na Fonte das Forcadas, que foi referenciado em 1758 ainda em bom estado de conservação, situação que actualmente se mantém.

5. As Brandas e Inverneiras são núcleos habitacionais temporários cuja origem se prende com a necessidade das populações utilizarem os pastos localizados na serra para alimentar o gado.
Na Primavera e Verão, as populações permaneciam nas povoações mais altas das serras (as brandas), enquanto no Outono regressavam às povoações mais baixas (as inverneiras) onde permaneciam todo o Inverno.
As brandas e as inverneiras ainda hoje se encontram na Freguesia e, apesar de não terem qualquer utilização, o seu valor cultural e histórico mantém-se e é reconhecido.
Em Soajo, encontramos as seguintes brandas: Bordença, Murço, Cortelhos, Medas, Pesqueiras, Torre de Regadas, Portelinha, Trapela, Açoreira, Ramil e Soutelinho.

6. Todos os primeiros domingos do mês realiza-se uma feira que é motivo de convívio para as gentes da terra.

Gastronomia

Pratos Típicos: O Cabrito à moda do Soajo, o Arroz de Cabidela, o Cozido à Portuguesa o Arroz de Sarrabulho e a Costeleta Grelhada são autênticos manjares que caracterizam a gastronomia desta Freguesia.

Vinhos da Região: São néctares da região os vinhos verdes brancos e tintos.

Doces Regionais: Fazem parte da confeitaria da região o pão-de-ló, o bolo de mel, bolinhos de jerimu, e outros doces confeccionados com o mel da região.

Artesanato

A manufactura do passado permanece bem viva em Soajo através dos trabalhos em madeira, das ferramentas tradicionais e dos trabalhos em lã e em linho. Entre os objectos mais produzidos artesanalmente, destacam-se as chancas e os pipos de madeira, as croças de junco e as capas de burel, as camisas e toalhas de linho, os cobertores de lã e as mantas de retalho, produtos estes que, em tempos idos, eram necessários à existência quotidiana. Actualmente, existe em Soajo uma loja de artesanato.